7 de jul de 2012

A Fantástica Fábrica de Clichês


Tim Burton hoje é um dos diretores mais cultuados de Hollywood. Com algumas dezenas de filmes lançados, o diretor aos poucos foi se firmando por seu estilo sombrio, suas temáticas macabras e seu humor mórbido. Outro fator que chama a atenção nos filmes do diretor são alguns atores, digamos, com presença garantida em seus filmes. Seu protagonista preferido é Johnny Depp, presente em mais da metade de seus longas (ou pelo menos nos mais "comerciais"). Desde Edward Mãos de Tesoura a parceria se repete. Outra que tem presença garantida é a monocromática Helena Borhan Carter, sua esposa. 



Mas a carreira de Tim Burton, apesar de comercialmente irrepreensível, qualitativamente possui alguns percalços, e que cada vez mais tem se repetido. Sua fórmula pronta de cenários sombrios e personagens macabros, embora tenha feito um razoável sucesso no início, parece estar se esgotando, e suas produções recentes demonstram isto. Só para lembrar alguns furos do diretor, podemos citar os desastres Batman Eternamente (filme que mais parece um desfile de drag queens), Marte Ataca! (filme com um humor nonsense mas que não emplacou muito, embora eu até tenha simpatizado com o filme na época), e mais recentemente temos o desastrado remake da Fantástica Fábrica de Chocolate (filme de uma frieza ímpar, com um afetadíssimo Willy Wonka vivido por Depp que tirou todo o espírito infantil do filme original) e de Alice no País das Maravilhas (embora melhorzinho que o anterior, mas se tornou um filme de ação adolescente e perdeu todo o charme do original). 



Seu mais recente filme, no entanto, consegue ser pior do que todos estes juntos. Estou falando de Sombras da Noite, em que mais uma vez Burton recorre ao seu protagonista galã para viver um personagem macabro (como vimos em Edward Mãos de Tesoura e Sweeney Todd por exemplo). Com um elenco de primeira, do qual destacam-se uma elegantíssima Michele Pfeifer, uma deliciosa Eva Green, e claro, o próprio Johnny Depp, o filme tinha tudo pra ser um sucesso. Mas algo saiu errado. Com um roteiro frívolo, que não se define entre ser humor pastelão, terror splatter ou romance, o filme nos brinda com cenas absolutamente ridículas (como a cena de sexo selvagem entre Depp e Green, absolutamente dipensável), e uma história que sinceramente não convence, sem o menor nexo e inflada de elementos sobrenaturais que aparecem sem a menor explicação ou conexão com o que está sendo contado (como por exemplo a transformação de uma das personagens em lobisomen, ou a "morte" estranha da vilã principal). 


Sombras da Noite é uma reunião dos piores clichês de Tim Burton, e a maior prova de que o diretor precisa de sangue novo nas veias, precisando urgentemente se reinventar, ter ideias novas, do contrário está fadado a ser um Shyamalan da vida, rotulado e odiado por muitos, lançando filmes sempre do mesmo estilo e que ninguém, a não ser ele, goste. 

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