28 de dez de 2009

AVATAR

Essa semana depois de muito tempo parado, aproveitei o recesso de Natal pra ir ao cinema. O filme escolhido, como não podia deixar de ser, foi a sensação do momento, Avatar. Claro que escolhi a versão em 3D, afinal, como há muito tempo não ia ao cinema, resolvi ir com tudo o que tinha direito. Pois bem, posso adiantar que esta tecnologia de terceira dimensão contribui e muito para a apreciação do filme. A sensação é a de estarmos dentro do filme, mergulhados nos belíssimos cenários proporcionados pelo diretor James Cameron.

Avatar nos brinda com uma história inusitada. Num futuro não muito distantes, os seres humanos descobrem uma pedra muito valiosa em um outro planeta muito similar à Terra. Neste planeta, chamado Pandora, vivem estranhas criaturas azuis, parecidas com seres humanos. Após anos e anos tentando se aproximar de tais criaturas para explorar suas riquezas naturais, os humanos decidem lançar uma última cartada. Constroem corpos que reproduzem a aparência destas criaturas, e que são controlados virtualmente por seres humanos. Estes corpos são chamados de Avatares, e são a atração principal do filme.

Os problemas começam quando um dos cientistas que controlariam um destes avatares morre, e é substituido por seu irmão gêmeo, um ex-fuzileiro paraplégico e muito teimoso (Jake Sully). É aqui que tudo começa, desenrolando uma história de ação, romance e fantasia jamais vista. O encontro de duas culturas diferentes é o pontapé inicial. Aqui vemos diante de nós a conquista de um povo por outro, fazendo uma alusão à própria conquista da América pelos europeus no séc. XV. As características dos dois povos em questão reforça esta metáfora. Enquanto os humanos dispões de toda tecnologia, armas de fogos, naves, robôs, etc, os povos Na'Vi, como são chamados os nativos do planeta Pandora, são povos tradicionais, que tem como principal arma o arco e a flecha, e dão muito valor em suas crenças e seus deuses.

As tradições destes povos são outro ponto de destaque do filme. Com uma cultura totalmente baseada na comunhão com a natureza, estes povos Na'Vi tem uma lógica totalmente diferenciada em relação aos humanos. Para eles o consumismo, a ambição e o dinheiro não valem nada. Sua vida é voltada totalmente para a natureza. Esta diferença na forma de pensar fica evidenciada quando os dois personagens principais, o humano Jake e a Na'Vi Neytiri se encontram pela primeira vez. A diferença na forma de pensar aumenta ainda mais a semelhança com a conquista da América, quando europeus buscam uma forma de explorar o continente americano, entrando em confronto com os nativos que viviam em comunhão com a natureza.

Assim, Avatar pretende ser um filme ao mesmo tempo de ficção científica futurista ao mostrar os mais avançados armamentos e tecnologias humanas, quanto um filme cultural, que mostra a cultura, costumes e principalmente as divindades dos povos Na'Vi. Segundo suas crenças, tudo está conectado, e sua divindade, chamada por eles de Eywa, é quem comanda o universo à sua volta. Assim, a tecnologia entra em confronto com as crenças tradicionais, em uma batalha sangrenta pela posse dos recursos do planeta.

No meio disto tudo está Jake, o ser híbrido, um humano que aos poucos começa a aprender a ser um Na'Vi, introjetando seus costumes e suas tradições. Jake passa a viver entre os dois mundos, durante o dia ele está na pele de um Na'Vi, andando pela floresta e aprendendo a montar cavalos e dragões. A noite ele retorna ao seu corpo humano, tendo que fornecer informações sobre a cultura Na'Vi para o coronel dos fuzileiros. Com o tempo, Jake passa a sofrer com esta dupla situação, e terá que escolher um dos lados.

Como todo ser híbrido, mestiço, Jake passa a não pertencer a nenhum dos dois mundos. Ele é o renegado, o rejeitado. Paralelo a isto, temos a idéia da virtualização da sociedade. Avatar é o ápice desta virtualização. Isto porque Jake, durante o dia, se transforma em um guerreiro Na'Vi. Como num videogame, Jake controla este outro corpo, que lhe permite fazer coisas que seu próprio corpo não mais o permite, por ser paraplégico, como andar, pular, correr, e até mais do que isso, voar.

Mas aqui o videogame é real, e a integração com o personagem é plena e total. Jake sente tudo o que seu corpo Na'Vi sente, vê tudo o que ele vê. É como se tivesse transferido sua alma para este outro corpo. Isto abre uma possibilidade filosófica imensa. Teorias espiritualistas contam sobre a transmigração de almas, que abre a possibilidade para que nossa alma saia de nosso corpo, podendo ir a outros lugares, e até habitar outros corpos. Isto que chamam de "alma", filosoficamente falando, nada mais seria do que a nossa consciência. Assim, em Avatar, a tecnologia permite que esta consciência possa ser trasferida de um corpo a outro. Assim voltamos à questão da mistura da tecnologia com as crenças, o que faz deste um filme único, diferente.

Como se não bastasse tudo isto, Avatar conta ainda com belíssimos cenários, ótimas atuações, efeitos especiais de primeira, excelentes cenas de ação, além da tecnologia 3D, que nos permite enxergar o filme com outros olhos, mergulhando-nos dentro do universo de Pandora. Por tudo isto Avatar já pode ser considerado uma revolução na história do cinema, um filme que marcará por gerações e servirá como referencial em matéria de efeitos especiais.

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