28 de jul de 2009

Dynahead - Antigen

Se eu estivesse passando em uma loja de discos e me deparasse com este álbum da banda Dynahead, com certeza acreditaria ser alguma revelação do metal europeu. E se me dissessem que é uma banda brazuca, e ainda por cima, da vizinha capital federal, confesso que eu custaria a acreditar. Tudo isto se deve ao excelente trabalho realizado pela banda, extremamente profissional, em todos os sentidos, desde a parte gráfica, passando pelo material da embalagem, o cuidado com as imagens, as fotos, e claro, sem se esquecer da parte principal do disco: a parte sonora!


E olha que este é apenas o primeiro trabalho oficial da banda, o que impressiona mais ainda. Logo na primeira audição o que nos chama a atenção é o cuidado com todos os detalhes. Uma qualidade sonora pouco encontrada no Brasil, principalmente no universo do Heavy Metal. Não é a toa que este trabalho tem sido elogiado pela imprensa especializada não só do Brasil como de várias partes do mundo, o que me deixa ainda mais orgulhoso e feliz de poder analisar este disco. Tudo bem, mas e quanto às músicas? Vamos lá então.

Li no site da banda que uma destas resenhas afirmava que era difícil enquadrar a Dynahead num estilo único. Realmente concordo. De cara eu poderia arriscar que se trata de um Heavy Metal Tradicional com influências do Progressivo. Mas logo na primeira audição o nome de uma banda, mais especificamente de um álbum me veio à mente e não saiu mais. E o mais curioso disso tudo é que nas resenhas que li até agora não vi ninguém comparando o trabalho do Dynahead com o desta banda. O trabalho a que me refiro é o CD "Dead Heart in a Dead World", do Nevermore. A semelhança da Dynahead com este trabalho é tão grande, que se eu tivesse ouvido suas músicas e ninguém tivesse me falado o nome da banda, eu juraria que era o novo trabalho do Nevermore.

E o que achar disto? Bom, eu achei maravilhoso, pois não poderia haver influência melhor, já que este álbum citado é um dos maiores clássicos do Metal mundial, em minha opinião. Ao ouvir a primeira faixa do disco já percebemos que o trampo da Dynahead é de primeiríssima. As guitarras nervosas da faixa Clockwork, aliada a uma bateria quebrada e um riff poderoso, de um peso absurdo e cheia de variações ritmicas, completado por um vocal dos mais agressivos são as maiores caracteristicas desta música. E é tudo isto que encontraremos ao longo deste álbum. Acho que uma das maiores características da banda é a variação de ritmos e estilos. Na maioria das músicas os caras conseguem ir do riff mais pesado a uma passagem lenta, quase melancólica, voltando em seguida a quebrar tudo, e conseguindo fazer com que tudo isso seja feito de uma forma bem natural.

Frente a tudo isto, fica até difícil destacar alguma música neste álbum, pois os caras conseguiram atingir uma uniformidade impressionante, e mantém a qualidade em alta ao longo de todo o trabalho. Mas as que mais me ficaram na cabeça, além da já citada faixa de abertura, foram a faixa cinco, "Join and Surrender", que começa avassaladora, depois cai pra uma sequência mais cadenciada até chegar no refrão mais suave e logo depois voltando com o riff mais rápido novamente. A variação ritmica aqui é o grande diferencial, e os riffs mais pesados ficaram excelentes, além do trabalho vocal, que também merece destaque, indo do vocal mais gutural para o mais suave com uma facilidade incrível.

Outra que merece destaque é a faixa oito, Do You Feel Cleansed?, que é simplesmente uma pedrada, a música mais rápida e pesada do disco, abusando de riffs cortantes, vocal rasgado e uma bateria alucinante, muito bem trabalhada. E fechando o disco com chave de ouro, a excelente The Starry Messenger, que também merece destaque por aliar uma pegada bem agressiva com passagens mais suaves, tudo isso entrecortada por partes bem quebradas no melhor estilo Metal Progressivo de bandas como Symphony X, Dream Theater e o próprio Nevermore, claro.

Por tudo isto este trabalho do Dynahead pode ser considerado um dos grandes lançamentos do Metal mundial dos últimos anos, equiparado ao de grandes nomes. A qualidade do disco e da banda é indiscutível, e o profissionalismo que se percebe neste disco deixa pra trás muita banda gringa, o que merece ser destacado. Por isto me sinto muito feliz de ter a oportunidade de resenhar este disco, e espero que muitos outros trabalhos desta qualidade venham a ser lançados pelas bandas brasileiras. Pois se depender da Dynahead, o futuro do Metal nacional está em muito boas mãos!

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