12 de mai de 2014

Futebol e Machismo

Neste fim de semana tivemos um caso emblemático de como nossa sociedade ainda opera sob o signo do Machismo e da opressão sexual. Trata-se do caso da bandeirinha Fernanda, que já vinha chamando atenção nos noticiários por ser uma mulher bonita em uma profissão dominada por homens. Tanta exposição, no entanto, é uma faca de dois gumes, já que o fato de ser uma mulher bonita pode passar de herói a vilão em uma questão de minutos. E foi exatamente isto que aconteceu. 


Resumindo o caso: ela teria errado ao assinalar um impedimento de um jogador do Cruzeiro que não estava impedido. Os jogadores do time foram pra cima dela com xingamentos e palavrões, como era de se esperar. Até ai tudo normal. Mas o que mais chamou a atenção foram as declarações do diretor de futebol de Cruzeiro após o jogo. Ele teria sugerido que ela fosse posar para a Playboy e deixasse o futebol. Com isto, ele deixou bem claro duas coisas. Primeiro, que o lugar de uma mulher bonita não é como juíza de futebol, mas sim mostrando seu corpo em uma revista masculina. Segundo, e mais grave, que o erro cometido por ela não seria devido a incompetência ou falta de atenção, mas sim por ela ser mulher. 

Este é mais um caso emblemático de como nossa sociedade tende a reforçar os estereótipos negativos quando se tratam de minorias (minorias sociais, não numéricas). Quando atribuímos um determinado comportamento a características físicas como gênero sexual ou cor da pele, estamos operando sob o signo do preconceito (sexual ou racial). Para exemplificar, basta que substituamos o cidadão em questão. Se fosse um bandeirinha homem, ele seria xingado e maltratado da mesma forma. Só que em momento algum alguém sequer sugeriria que ele teria errado por se tratar de um homem. Errou por incompetência. Agora, como se trata de uma mulher, em que já há um histórico de opressão e submissão, especialmente atuando em um campo de trabalho que não é comum a elas, toda a crítica recai sobre sua condição sexual, deixando bem claro, como nas declarações do diretor do Cruzeiro, que ela teria errado por ser mulher, e que portanto ali não é seu lugar. 

A primeira vista, isto pode parecer algo banal ou simples. Mas devemos estar atentos para estes casos, pois eles representam como nós ainda tendemos a enxergar as coisas a nossa volta sob o signo do machismo/racismo. Denunciar estes casos e analisá-los sob uma outra ótica é o que precisamos para demonstrar os discursos preconceituosos que mantém um imaginário de opressão sobre determinados grupos sociais. Todos os dias juízes do sexo masculino cometem erros na arbitragem, e são xingados por isto. Mas nunca serão questionados por seu gênero sexual. Neste caso, precisamos deixar claro que a bandeirinha Fernanda cometeu um erro grave sim. Mas errou por incompetência ou por falta de atenção. Não por ser mulher. 

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