1 de abr de 2013

Lolla pra quem?



Pelo segundo ano tive a oportunidade de ir ao festival Lollapalooza Brasil, em São Paulo. No primeiro ano tivemos o show apoteótico do Foo Fighters, que valeu muito a pena. Neste ano a programação estava mais variada e com a adição de um dia a mais de shows. Entre os destaques, Pearl Jam, Black Keys, The Killers, Queens of The Stone Age, Franz Ferdinand e vários outros nomes de diversos estilos. Um prato cheio pra qualquer fã de rock. 

Após analisar os line-ups, decidi comprar ingresso pro sábado, dia que teria como destaque a banda Black Keys, acompanhada de Queens of The Stone Age, Franz Ferdinand e A Perfect Circle. E lá fui eu pra São Paulo. O hotel que fiquei se transformou em uma filial do evento: jovens e adolescentes desfilando com seus cabelos vermelhos, all stars e camisas xadrez. Como não ia no primeiro dia de shows, o jeito foi aproveitar para fazer compras no centro, nas poucas lojas que se encontravam abertas em pleno feriado. As notícias do primeiro dia desanimavam um pouco: filas, muita lama, cheiro de esterco e chuva. 


No sábado o clima mudou completamente. Com um sol de rachar, nos deslocamos para o local do show. A entrada estava mais tranquila do que no ano anterior. A conferência das meias entradas estava mais ágil, e a revista de mochilas menos rigorosas. Entramos sem pegar grandes filas. Lá dentro, as notícias se confirmaram: muita lama, um fedor de esterco de cavalo digno das melhores pecuárias de Goiás. Quase deu pra me sentir em casa. A área de vendas, tando das lojinhas oficiais quanto das fichas para alimentos e bebidas estava bem melhor este ano, resultando em poucas filas e tumultos. Em compensação, os banheiros estavam uma lástima, como sempre. Filas enormes e condições desumanas eram as principais marcas, problema que seria facilmente resolvido com umas duas ou três fileiras de banheiros químicos a mais. Espaço pra isso tinha de sobra.  



A estrutura dos palcos era idêntica a da primeira edição. Os dois palcos maiores ficavam em lados opostos um do outro e se revezavam nos shows, causando um grande deslocamento de pessoas, que tinham que atravessar todo o Jóquei pra chegar no outro palco, enfrentando a lama e o esterco no meio do caminho. Em um festival grande, com muitas bandas como este, há duas maneiras de se comportar: a primeira é tentar assistir ao máximo possível de shows que te interessam, o que vai fazer com que você tenha cãimbras de tanto andar pra lá e pra cá. A outra possibilidade é se concentrar apenas naquela banda que você mais quer ver, e ficar ali na frente do palco dela esperando seu show. Você cansa menos, mas também perde o restante do festival. 



Adotei a primeira estratégia, de ficar tentando assistir aos shows nos dois palcos, e alguns tive que assistir sentado, pois a dor nas pernas já era grande. O show do Franz Ferdinand foi o melhor do dia, tanto pela animação quanto pelas músicas. Único porém é que o som do palco secundário, pelo menos de onde eu estava, oscilava muito, ora abaixando, ora aumentando. Mesmo assim foi emocionante ver o público inteiro cantando "Take me Out" junto com a banda. Logo depois veio Queens of the Stone Age no palco principal, e simplesmente não dá pra entender porque eles não estavam fechando a noite no lugar de Black Keys, banda que mal conheço. Mas tudo bem. O set deles foi bem curto, e o som, pra variar, não estava lá essas coisas, estourando os agudos e embolando nas partes mais pesadas. Mesmo assim músicas como Song for the Dead conseguiram uma ótima resposta do público. 



Os outros shows do dia que conferi foram o nonsense do Tomahawk, banda do maluco do Mike Patton. Fiquei por ali vendo se sobrava algum cover do Faith no More, mas não rolou (pelo menos nenhuma das mais conhecidas, eu acho). O som dos caras é bem estranho e só empolgou alguns poucos fanáticos que estavam por ali. O Two Door Cinema Club conseguiu uma ótima resposta da galera. vi o show deles enquanto dava uma volta na roda gigante, e lá de cima o espetáculo do público era belíssimo, pulando e aplaudindo junto com a banda. Creio que foi um dos shows mais animados do dia. O Perfect Circle foi a banda escolhida pra tocar antes da atração principal. E foi muito bem escolhida, porque com ela tocando no palco secundário, todos podiam ficar no palco principal esperando o último show sem remorso de estar perdendo algum show bom no outro palco. Já conhecia o som dos caras, aquele tipo de rock gótico, melancólico. Pra mim a banda é um Opeth, só que sem as partes de Black Metal. Assisti o show sentado, eu e meia dúzia de fãs que estavam por ali. Foi um dos shows mais vazios da noite, acho que nem as bandas do palco alternativo despertaram tanto desinteresse quanto eles. Simplesmente não dava pra entender o que eles estavam fazendo ali. O show foi bem morno, único ponto alto foi com a música Black Sheep, um pouco mais animadinha. O resto foi sonolento e monótono. É a primeira banda que eu conheço que é melhor no CD do que ao vivo. 



E pra fechar a noite, o tal do Black Keys. Eles até que tem algumas músicas boas, e o show foi bem animado, a julgar pela empolgação do público. Apesar disso vi muita gente indo embora na hora do show deles. E eu entre elas. Vi apenas umas 04 músicas deles e me rendi à dor nas pernas, que já pediam arrego, e também pensando em não pegar o tumulto da saída no final, como foi ano passado. No final ficou uma sensação de vazio. Faltou um Grand Finale, problema que não devem ter enfrentado quem escolheu ir no domingo pra ver o Pearl Jam. Os shows que eu mais queria ver foram curtos e tiveram problemas no som. Este às vezes é o problema de se vir de fora pra ver uma ou duas bandas em festivais como este: você faz um esforço grande (tanto financeiro quanto físico) e as chances de não atender à sua expectativa são grandes. Ou então, talvez seja eu que esteja ficando velho mesmo. Talvez seja hora de me aposentar deste tipo de evento. Afinal, quando você sente que a melhor coisa de um festival de Rock foi o passeio de roda gigante, é porque algo não está muito certo. 

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