25 de mar de 2013

Futuro caos


Como você imagina que estará sua vida daqui a 30 anos? E o mundo, como será? Imaginar o futuro é uma das muitas manias do ser humano. Estamos constantemente fazendo isto, e o cinema, a música e a literatura são provas. Intimamente, no cotidiano, temos uma tendência a fantasiar que o mundo sempre se modifica para melhor. A educação vai melhorar, não existirá mais violência, as pessoas serão mais solidárias umas com as outras. É uma espécie de instinto de sobrevivência: temos que pensar que as coisas serão sempre melhores para que possamos ter esperança e continuar a viver felizes no agora. E as religiões com suas promessas e a ciência com seus avanços nos dão esperança de que será assim.

Mas e se não for? Já pararam para pensar de que nada garante que o mundo está caminhando para ser um lugar melhor para vivermos? Que as melhorias econômicas que os governos dizem fazer, as leis mais rígidas para conter a violência e os avanços tecnológicos na área da saúde não são garantias de um futuro paradisíaco como muitos de nós sonhamos? O cinema já parou para pensar nisso. E o resultado foi um futuro caótico e de uma violência incontrolável. Dois filmes novos que assisti recentemente mostram que talvez não tenhamos muitos motivos para sermos otimistas. 


O primeiro deles é a nova versão do juiz Dredd. A história se passa em futuro não muito distante que alia os avanços tecnológicos com a superpopulação e uma certa falência das instituições sociais. Pelo menos pra maioria. A criminalidade tem índices altíssimos nas cidades, e o cenário é dominado por gangues de todos os tipos, que concorrem entre si em guerras fratricidas, sem que o poder policial possa fazer nada. A cada minuto 12 crimes graves são cometidos. 17 mil por dia. E a polícia consegue responder apenas a 6% destes. A quase falência da instituição policial é notória. Para agilizar a resolução dos crimes, são criados os juízes. Eles são a fusão do judiciário e do executivo. Julgam, dão a sentença e a executam. Tudo ali, na hora. A maioria dos crimes são punidos com a morte, mas alguns exigem a reclusão. 




O outro filme se passa no ano de 2044: trata-se de Looper - Assassinos do futuro. A história gira em torno da viagem no tempo, que seria inventada dali a 30 anos. Como no futuro é muito difícil matar alguém e se livrar do corpo, as vítimas são enviadas ao passado para que sejam assassinadas por assassinos profissionais contratados. O cenário é de total desolação. Todos os cidadãos carregam uma arma, e nas ruas prevalece a lei do mais forte. A fome e a miséria espalham-se e obrigam as pessoas a tentar de tudo para sobreviver. Aos que a situação se torna desesperadora, resta tentar roubar. Isto se conseguir fazê-lo e sair sem levar um tiro. É a completa lei da selva. 



Vivemos em um mundo violento hoje. Mas, de alguma forma, confiamos no chamado Estado de Direito. Confiamos nas leis, nas normas e nas convenções. Mas nos esquecemos que tudo isto pode ser facilmente burlado, afinal, eles são movidos por seres humanos. Se hoje em dia a criminalidade já tem números assombrosos e a polícia praticamente não dá conta de preveni-la nem de investigá-la depois, imagine se a situação se agrava. De repente, nos vemos vivendo em um mundo caótico como os descritos nestes filmes. Um mundo em que o Estado e as Leis já não conseguem mais proteger os cidadãos deles mesmos. O clima de insegurança tomaria conta de todos, e as armas seriam a única lei que nos restaria recorrer. E neste caso, nem rezar adiantaria. Não mais. 

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