2 de jan de 2013

Menção Honrosa - Discos que ficaram fora dos Melhores/2012


A lista de melhores discos de 2012 do nosso blog foi extensa, mas deixou ainda muitos nomes de fora. Este post portanto é para homenagear aqueles discos lançados em 2012 que por algum motivo não entraram na lista mas que foram importantes pro cenário musical regional, nacional e internacional, nem tanto pela qualidade. Vamos a eles:



Os goianos do Black Drawing Chalks chegaram ao seu terceiro disco este ano, e o lançamento foi bastante festejado pela imprensa rocker nacional, entrando em várias listas de melhores do ano. O lançamento consolida a banda como um dos grandes nomes do stoner rock brasileiro, e mostra o amadurecimento do grupo. Mas não dá pra negar também que o lançamento é um pouco inferior aos dois primeiros discos da banda. Com músicas mais lentas e cadenciadas, como as faixas Cut Myself in Two, Walking By, Swallow, Immature Toy, entre outras, a banda perdeu um pouco do vigor e velocidade dos discos iniciais. Mesmo assim o disco tem faixas marcantes, como as excelentes Famous, Street Rider e Simmer Down, mas não foi o bastante pra ser considerado como um dos grandes do ano. 


Zeca Baleiro - O Disco do Ano

Com este título, digamos, nada modesto, Zeca Baleiro nos brindou com mais um disco de sua autoria. O disco apresenta músicas legais, como Tattoo, Nu, Zás e O Desejo, esta última com participação especial do Chorão, do Charlie Brown Jr. Mas no geral o disco é um tanto repetitivo em relação ao que o artista já vinha fazendo em seus álbuns anteriores, e não consegue acrescentar muito à sua música, que começou a carreira marcado pela criatividade musical. O título do disco é uma crítica ao sucesso fácil construído muitas vezes não pela qualidade da música em si, mas sim pela crítica musical que como diz Zeca em uma das faixas, começa a "incensá-lo". Na música, Zeca afirma "Mamãe, eu fiz o disco do ano". Desculpe Zeca, mas ainda não foi desta vez. 



Este vale pela curiosidade da ideia. Um tributo, só com bandas Indie, ao Raça Negra, um dos maiores ícones do pagode e música brega nacionais. E não é que deu certo? As versões ficaram bem interessantes, como por exemplo a versão de Cigana da cantora Lulina, Cheia de Mania, de Vivian Benford e Jeito Felino, gravado por Letuce. No geral todas as músicas ganharam uma nova roupagem e poderia muito bem fazer parte do CD de qualquer uma dessas bandas. 


Green Day - Uno! Dos! Tré!

Projeto ousado do Green Day: uma trilogia, com 3 álbuns lançados de forma independente mas que se complementam. Assim poderíamos descrever esta empreitada. Uma overdose de Green Day. Tem música pra todo gosto, mas no geral os discos não fogem daquela velha fórmula que consagrou o grupo: músicas curtas, rápidas, focado num pop punk rock. O primeiro disco, Uno!, é o melhor dos três, o que apresenta mais músicas bacanas. Lá pro terceiro disco você já está enjoado de Green Day e nem quer ouvir falar mais da banda. Mas que foi um lançamento ousado e interessante, isso foi. 


Matanza - Thunder Dope

A banda mais canalha do Brasil está de volta, e desta vez com um disco, digamos, fora dos padrões Matanza. Acostumados a ouvir muitos palavrões, música pesada, bebida, mulher, brigas e letras divertidas e engraçadas, desta vez a banda vem com algo diferente. Este álbum é composto por músicas de toda a carreira da banda mas que por algum motivo não entraram nos álbuns anteriores. Uma espécie de sobras de estúdio. Mas tudo isto não funcionou muito bem. As letras são sem graça, as músicas são repetições do que já vimos nos álbuns anteriores, e metade do disco traz músicas em inglês, o que perde um pouco o sentido já que o melhor da banda sempre foram as letras escrachadas. Enfim, melhor continuar com os CDs antigos. 


Sambô - Estação Sambô

Sempre achei o Sambô um projeto interessante. Versões de samba de músicas de vários estilos, como rock e pop. E o primeiro CD do grupo mostrou isto, com músicas interessantes, como Retalhos de Cetim, Sunday Bloody Sunday (U2) e This Love (Maroon 5). Mas neste novo disco a coisa não engrenou muito bem. As versões internacionais não ficaram bacanas como no disco anterior, como por exemplo Suddenly I See (KT Tunstall), Proud Mary (Creedence) e Smells Like Teen Spirit (Nirvana). E ainda pra piorar tem umas músicas ruins, como Zóio de Lula (Charlie Brown Jr.) e Pais e Filhos (Legião Urbana), que não funcionam na versão samba. Este é um disco pra passar em branco. 


José Andrea y Uróboros - Uróboros

José Andrea resolveu no ano passado deixar a banda Mago de Oz e reavivar um antigo projeto com amigos intitulado Uróboros. O resultado foi o projeto José Andrea y Uróboros, que podemos conferir neste disco. Mas ao invés dos violinos, flautas e todo o clima medieval da banda anterior, aqui o cara adota um estilo mais voltado pro pop/hard rock. O resultado é muito aquém do que o cara fazia com os Magos. Ficou parecendo um Deep Purple cantado em espanhol. Tem algumas canções bacanas, como El Tren, Vanidad (com um tecladinho que é a cara do Purple) e No Cuentes com Ellos, mas é só. Felizmente o Mago de Oz conseguiu um novo vocalista e continua com seu folk metal a todo vapor.   


Manowar - The Lord of Steel

Já ouviu algum CD do Manowar? Então nem precisa ouvir os outros. Ultimamente tem sido assim. A banda parece ter entrado em um ócio criativo e lança sempre os mesmos discos. Ouça este Lord of Steel e o anterior Gods of War e a diferença é mínima. O estilo que o consagrou, o metal tradicional com aquela pegada nos riffs de guitarra e a voz rouca de Eric Adam continua sendo repetido à exaustão. Está tudo lá, todos os elementos que consagraram a banda, inclusive as temáticas das músicas, que continuam servindo de trilha sonora pra batalhas medievais. Quem é extremamente fã da banda poderá ouvir um pouco mais do mesmo. Quem nunca ouviu também talvez ache interessante. Mas quem conhece um pouco com certeza irá se cansar de ouvir mais um disco igual aos outros. 



Diego de Morais já se tornou um ícone da música alternativa goiana. Seja no seu projeto com o Sindicato ou seja com seu novo projeto, intitulado Pós de Ser, cujo primeiro EP saiu no final do ano. Com cinco músicas, o cantor continua investindo em suas principais características: letras criativas e afiadas e uma rica musicalidade que inclui samba, MPB e outros ritmos variados. Em alguns momentos me lembrou os ritmos musicais do Lenine, como na faixa De Repente. Mas, neste disco, as batidas das músicas e os ritmos sempre cadenciados se tornaram um pouco repetitivos (ouça por exemplo as faixas Ypsilone e Reduzido a Pó, que tem uma cadência muito próxima, com a mesma batida). De qualquer forma é mais um novo nome da música goiana que promete boas surpresas em 2013. 



Mais um goiano na lista. Fernando Simplista lançou seu primeiro trabalho em 2012 e merece destaque. O disco é bacana e traz uma música leve, com boas letras. Algumas faixas são bem legais como o sambinha Cromaqui, a animada Água no Jacá e Cariocasta, que inicia com uma fala de Raul Seixas. Apesar de um pouco lento e melancólico em alguns trechos, o disco se mostra um diferencial e até um alívio no meio de tanta mesmice que vem da música goiana. Pode conferir sem medo.

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