9 de abr de 2012

Foo Fighters no Lollapalooza Brasil

Mais um grande festival chega ao Brasil. Agora foi a vez do Lollapalooza, festival criado na década de 90 por Perry Farrel (da banda Janes Addiction) e que recentemente tornou-se um dos maiores festivais do mundo em matéria de rock'n roll. Pois lá fomos nós então conferir o que de melhor iria rolar. Claro que a presença do Foo Fighters me animou bastante a conferir o festival, haja visto que o casting de bandas do festival foi, digamos, um tanto modesto perto da banda de Dave Grohl e companhia. Pode-se dizer que o Foo Fighters literalmente carrega este festival nas costas, já que o enorme sucesso de público do primeiro dia deve-se totalmente à presença deles.

Sai de Goiânia na sexta-feira rumo a São Paulo para conferir o mesmo, e já no caminho fui tendo um gostinho de que algo grande estava para acontecer, devido à quantidade de pessoas no avião que também estavam indo para conferir o festival. A escolha da data (feriado de semana santa) se mostrou bastante apropriada, e a cidade que nunca pára teve que parar para ver milhares de roqueiros atravessarem em seus caminhos. A chegada ao local do show foi bastante tranquila. De metrô dava pra ir até o final da linha amarela, descer na estação Butantã e de lá ir a pé até o Joquei Clube de São Paulo. A cidade que fica um tanto tranquila nestes feriados, estava totalmente tomada por rockers. Em qualquer lugar que se fosse, a paisagem do lugar era tomada por jovens e suas roupas pretas, correntes, piercings, tatuagens e coisas do gênero. Ao descer do metrô, uma verdadeira legião de pessoas seguiam pelas calçadas rumo à entrada do festival, de modo que era impossível ficar perdido, mesmo quem não conhecesse o local. 

Chegamos ao jóquei por volta das 14h, com o show do Marcelo Nova já rolando, e foi hora de se ambientar e conhecer o que o Lollapalooza havia preparado para nós. E o que posso dizer é que gostei bastante do que vi. A estrutura do festival estava muito bem organizada. Pra começar o acesso ao local, com guardas controlando as ruas, cavaletes para organizar e agilizar as entradas, separadas por ingressos "meia" e "inteira". Pra quem comprou meia-entrada, seguranças conferiam as carteiras de estudantes e forneciam um adesivo no ingresso, que validava sua entrada. Depois era a vez da revista, inclusive de mochilas e sacolas. Mas tudo isto ocorria rapidamente, de modo que as filas estavam bastante ágeis e a entrada era feita de forma tranquila. 

Já lá dentro, contávamos com uma boa organização de alimentação, com sistemas de fichas que eram adquiridas nos caixas, e depois pegando os itens em uma das dezenas de bares espalhados pelo local. Em frente aos bares haviam cavaletes para organizar as filas, coisa que faltou por exemplo no último Rock in Rio, que havia filas muito tumultuadas, tornando impossível conseguir comprar qualquer coisa lá dentro. Mesmo assim as filas foram grandes em alguns momentos para comprar fixas e pegar produtos, que também contavam com preços abusivos (8 reais por um hot pocket ou um copo de chopp). Os banheiros também foram melhor distribuidos e organizados do que no Rock in Rio, que entupiu os banheiros masculinos e na metade dos shows o chão estava alagado de urina. Aqui a organização providenciou banheiros químicos, que funcionaram melhor, mas também tiveram alguns problemas como alagamentos e grandes filas em alguns momentos. 

Nos palcos a organização também acertou, colocando os dois palcos principais nos lados opostos do Jóquei, fazendo com que o som de um não atrapalhasse o outro, mesmo que tivéssemos que andar bastante de um show pro outro. O único porém ficou por conta da proximidade da tenda eletrônica com o palco secundário, fazendo com que algumas vezes o som da tenda tapasse o do palco para quem estava do lado direito do palco. Outro problema foi a pouca visibilidade para quem ficava longe do palco, o que num lugar cheio como estava, é o que mais acontece. Os telões até ajudavam um pouco, mas infelizmente a maior parte do público não viu absolutamente nada em cima do palco principal. Os horários dos shows foram rigorosamente cumpridos, sem atrasos e nem passando do horário, um show de organização. Os primeiros shows rolaram ainda com o sol brilhando sob nossas cabeças, e o calor estava realmente muito intenso. Foi difícil curtir por exemplo o show do Cage the Elephant, banda que entrou no palco as 15h, com o sol bem nas nossas caras. Mas o show dos caras foi eletrizante, com seu vocalista Matt Schultz totalmente insano, encerrando o show com um mosh na galera que durou uns 5 minutos pro cara conseguir voltar pro palco. 



Logo depois O Rappa foi um dos representantes brasileiros de maior peso no festival. Quando vi o nome do Rappa no meio de tantas bandas mais rock'n roll, achei que ficariam deslocados e poderiam até sofrer algum preconceito por parte do público, mas não foi o que ocorreu. Todos receberam muito bem o som da banda, pulando e cantando junto o tempo todo. E a banda em cima do palco retribuiu com um show quase apoteótico. Com novos arranjos para suas músicas, injetando muitos samplers e música eletrônica, Falcão e companhia deram uma nova roupagem às suas canções, tornando o show algo único de se ver. Tocaram por uma hora e foi o suficiente para deixar a galera querendo mais.

Logo a seguir foi a hora de descansar, ir na lojinha comprar umas camisetas, se reabastecer. Isto porque a próxima banda a se apresentar foi o Band of Horses, que tem um som, digamos, bastante lento. Vi apenas um pedaço do show dos caras, e se suas músicas não funcionam no CD, ao vivo então ficam piores ainda. O TV on the Radio fez um show animado e conseguiu empolgar em alguns momentos. A música que mais gostei foi "Staring at the Sun", que representa bem o estilo da banda. Logo após, duas pedradas iriam rolar. No palco secundário, denominado de "Butantã", a roqueira Joan Jett (ex-Runaways) mandou seu recado, enquanto no palco alternativo o Pavilhão 9 botava todo mundo pra pular. O show da Joan Jett foi explosivo, e trouxe de volta os bons e velhos anos 80 do rock'n roll, mas só foi prejudicado pois faltando 20 minutos pra acabar seu show a galera já debandava pro outro palco a espera da atração principal. 


E ela não demorou a vir. Com todas as atenções voltadas para o palco principal, o Foo Fighters subiu ao mesmo para fazer história. Com a platéia totalmente enlouquecida, a banda correspondeu em cima do palco fazendo deste show um espetáculo que todos que estavam ali jamais esquecerão. Cada música foi cantada em uníssono, acompanhada de palmas, gritos e uma ovação total à Dave Grohl e companhia, que parecia fazer questão de mostrar que está bem e não tem problema nenhum na voz, gritando a todo momento. O repertório foi praticamente o mesmo das outras edições, e se fixou entre músicas de seu mais recente trabalho "Wasting Light" considerado um dos melhores da carreira da banda e músicas mais antigas. 

O vocalista conversou bastante com o público, contou suas tradicionais histórias e piadas, tocou bateria e entre uma coisa e outra, fez o que ele mais sabe fazer: enlouquecer o público. Após conferir o show dos caras, posso garantir que o Foo Fighters tem uma das melhores performances ao vivo, e mostrou isso com mais de 2h e meia de show. Entre as músicas que mais agitaram, "Best of You", "The Pretender", "Walk", "Breakout" e o encerramento com "Everlong" fizeram um público de mais de 70 mil pessoas simplesmente enlouquecer. Não faltaram também os já tradicionais trechos de Pink Floyd, com "In the Flesh", a cover de Queens of the Stone Age "Feel Good Hit of the Summer", e o convite à Joan Jett subir ao palco para tocarem juntos "Bad Reputation" da Joan, e aqui no Brasil especialmente também aquela música que ficou mais famosa depois de ser regravada pela Britney Spears, "I Love Rock'N Roll". Simplesmente perfeito, um show que marcará pra sempre minha história!


Após o show, a saída teve alguns problemas. Primeiro as filas nos bares para trocarem as últimas fichas de quem havia comprado e não queria ficar no prejuízo. Logo as bebidas começaram a acabar nos bares, deixando muitos revoltados por não conseguirem pegar seu produto, e pela bilheteria não devolver o dinheiro. A saída do Jóquei foi lenta mas tranquila, apesar do número grande de pessoas. O problema maior foi lá fora, já que as calçadas estreitas e o movimento de carros em volta do Jóquei foram tomadas por uma multidão de gente que saia do Jóquei e buscava o metrô para poder ir embora. Claro que o metrô não suportava tamanha quantidade de pessoas, e após ser totalmente tomado, resolveram fechar o mesmo, deixando a multidão com poucas opções. 

Os pontos de ônibus também lotados, um congestionamento enorme nas ruas, escassos táxis e cobrando preços abusivos fizeram com que grande parte das pessoas simplesmente sentasse nas calçadas a espera, talvez, de alguma solução que caísse dos céus. Eu dei sorte de conseguir entrar num ônibus totalmente lotado que ia pra Av. Paulista, e agradecer a sorte de descobrir que este ônibus me deixaria a duas quadras do meu destino. Mas foi uma tremenda mancada da organização não prever tal situação e providenciar mais ônibus, talvez até mesmo fechar o trânsito em volta do Jóquei durante algumas horas até que todos saíssem do local. 

Mas enfim, os saldos positivos parecem ter superado e muito os negativos, pelo menos pra mim. Depois foi só pegar o avião de volta à Goiânia no domingo, com a certeza de ter presenciado um dos maiores momentos da história do Rock deste país, e trazendo na bagagem camisetas, fotos, e muitas mas muitas lembranças boas.

Confira as fotos do Festival

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