29 de abr de 2012

BNegão e a Música Preta Brasileira


BNegão está com disco novo no pedaço. O cara das mil faces parece ter evoluído bastante, mas sem deixar suas raízes de lado. Pra quem não sabe, BNegão comandava, ao lado de Marcelo D2, os microfones do Planet Hemp, dando uma cara mais hip-hop à banda com seu estilo inconfundível. Após o fim da banda, BNegão montou seu projeto solo, intitulado BNegão & Os Seletores de Frequência, que lançaram seu primeiro álbum em 2003, intitulado Enxugando Gelo, pra mim um dos melhores álbuns de música brasileira deste país.



Neste primeiro trabalho, o estilo Hip-Hop era o forte, mas a musicalidade do grupo era latente. Influências do funk soul, do afro-beat e da música negra em geral eram os grandes fortes do grupo. As letras ácidas e a crítica social eram um dos pontos fortes. Através do microfone, BNegão insuflava sua filosofia racionalista, muitas vezes lembrando até mesmo o grande Tim Maia. Algumas músicas deste disco se tornaram clássicos, como a Dança do Patinho, um hardcore nervoso com uma letra divertidíssima. Ainda com um pé no rock, este álbum possuía duas músicas neste estilo. 


Mas BNegão não é um cara de uma face só. Seu outro projeto foi um grupo de funk carioca com dub, intitulado Turbo Trio, que lançou um álbum em 2008 e mostrava um outro estilo mais dançante e nervoso baseado nos bailes funks cariocas. Além disto o cantor ainda fez participações em vários outros projetos de música alternativa, como o Instituto e o projeto Racional que reunia grandes artistas para tocar as músicas do grande Tim Maia Racional, projeto inclusive que passou por Goiânia em 2008 no Festival Goiânia Noise. 


Pois bem, agora BNegão após quase 08 anos de inatividade criativa com os seletores, lança um novo álbum com o grupo, e mostra um estilo muito mais voltado pro funk soul do que o hip-hop propriamente dito. Sintoniza Lá é o nome do novo álbum, que inclusive já vazou na internet e está disponível para download em alguns blogs por aí. As letras estão menos ácidas e menos rápidas também, mais cadenciadas e no ritmo da soul music. Mas musicalmente o projeto está belíssimo, incluindo ritmos caribenhos, música cubana, afro-reggae, batuque e claro, não deixando de lado a soul music e o funk soul. 



Entre os destaques ficamos com as músicas "Reação (Panela II)", música mais lenta que tem uma marcação de reggae mas com uma frase de trompete muito legal; a faixa 06, "Essa é pra Tocar no Baile", que como o próprio nome diz, tem uma batida de funk carioca que lembra a época do Turbo Trio; como BNegão não esquece suas raízes, o hardcore também está presente na música instrumental "Subconsciente"; e pra mim a melhor música do disco que lembra música cubana, jamaicana, salsa e ritmos caribenhos, a faixa "Chega pra Somar no Groove". 


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