31 de jul de 2011

A Cidade Cinza


Gosto de escrever. Mas ultimamente tenho feito isto tão pouco que às vezes até me sinto culpado. Não, acho que não é por falta de tempo. Talvez de assunto. Acho que poucas coisas me inspiram ultimamente. Penso em escrever sobre algo, mas logo desisto. Mas eis-me aqui tentando fazer mais um esforço. Pensei em escrever sobre minha última viagem, em que fui conhecer a cidade de São Paulo. Mas não quero aqui tecer análises sociais nem econômicas. Tratam-se apenas de reflexões soltas acumuladas pelas paisagens e texturas que pude provar nos últimos dias. Minhas impressões sobre a viagem, algo como os relatos dos viajantes dos séculos passados, impregnados de reflexões e impressões sobre os lugares visitados.


Somente quando conhecemos outras cidades parece que conhecemos a nós mesmos. É no contato com o outro, com o diferente que nos encontramos. E que diferente! Para quem está acostumado com o pacato e tranquilo caminhar de uma cidade provinciana como Goiânia, São Paulo acaba sendo uma experiência única e inigualável. Em todos os sentidos. Uma cidade que respira cultura em um ritmo frenético, alucinado. Museus, bares, avenidas, ônibus, parques, metrôs, trens, tudo corre num ritmo diferente. O tempo aqui corre de maneira diferente. O tempo é uma peça chave para entender São Paulo. Uma cidade que transpira história por todos os seus poros. Só precisamos estar atentos para perceber esta história em todos os seus detalhes. Ser um historiador nestas horas ajuda muito!



Mas ao mesmo tempo sobram caminhos e opções. São Paulo é a cidade das escolhas. O leque é imenso e abre-se diante de nós. Não é preciso muito esforço para se fazer algo em São Paulo. Pra onde olhamos, pra onde nos viramos a cidade nos convida, e são sempre convites tentadores, mas que às vezes parecem tão distantes. Aliás, distância é uma palavra chave pra se entender esta cidade. Ela está em todo lugar, em tudo o que planejamos, em tudo o que pensamos. Para se viver em São Paulo, é preciso planejar a vida em função da distância. O espaço tem que ser levado em conta. Nestas horas a companhia de uma geógrafa vem a calhar. 



Geografia e história se confundem nesta cidade cinza. As paisagens variam à medida que andamos de um lugar para outro. São Paulo tem muitos rostos, muitas paisagens. Entramos no metrô. Pela janela vemos grandes prédios, arranha-céus, mansões, madames passeando com seus cachorros e restaurantes que não nos olham na cara. Alguns túneis à frente e a paisagem se modifica. Favelas, barracos, fiações entrelaçadas, operários voltando do trabalho e lanchonetes de procedência duvidosa. E as pessoas são afetadas por tudo isto. Somos afetados pelo que nos rodeia. Morar envoltos numa selva de pedras sem fim, sem saída, andar imersos em túneis, sem o calor do sol nem das pessoas nos torna frios, apáticos. A impessoalidade é o que dá o tom, em todos os cenários. 




Retorno à Goiânia e ao meu ritmo normal. Congestionamentos, caos, ritmo de vida agitado? Nada, se comparado ao que vi. O que vejo aqui é uma cidade do tamanho ideal. Nem tão grande que me sinta perdido, nem tão pequena que me sinta entediado. Na bagagem trago fotos, compras, imagens e muitas lembranças, lembranças estas que me fazem repensar, minha vida, meus costumes, meu espaço e meu tempo.  São Paulo é uma experiência mítica, surreal, impossível de ser descrita em palavras. Uma cidade que amplia nossos horizontes, nossa percepção do mundo que nos cerca, que nos faz enxergar o quanto somos pequenos diante da imensidão. Retorno à Goiânia e me encontro, encontro a paz que eu tanto buscara. Uma tranquilidade sem tédio, uma paz sem monotonia. E pareço encontrar um pedaço de mim que faltava. Resta buscar os outros...

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