23 de ago de 2010

Stephen, The King

Stephen King é o maior mestre do horror de que se tem notícia, com um incontável acervo de obras publicadas, boa parte delas adaptadas para o cinema (calcula-se que seriam mais de 100 histórias suas adaptadas pras telonas). O fato é que King sabe realmente como contar uma boa história de terror. O cara tem uma queda pelo macabro, por coisas assustadoras e sinistras. Não é a toa, portanto, que uma boa parte de suas histórias se baseie em algum objeto, animal ou pessoa maléfica por natureza. Pode ser uma casa, um carro, uma garota ou até mesmo um cachorro. King nos traz sempre alguma coisa que tenha uma natureza maléfica, maligna, diabólica, sem qualquer explicação prévia. Ele é a maior prova de que o mal não precisa necessariamente de uma origem.

Vejamos por exemplo um de seus maiores clássicos, o filme Carrie, A Estranha, onde uma garota com estranhos poderes paranormais passa a matar seus colegas de escola em um baile, após ser humilhada por todos eles. Carrie seria uma espécie de amaldiçoada, dotada de um poder maligno, que um dia é despertado e se volta contra todos que a humilham, matando a todos eles. Já em Christine, O Carro Assassino, é a vez de um carro representar as forças malignas. Na história, Christine é um carro ciumento que mata a todos que se aproximam de seu dono. Até cachorros já serviram de inspiração a King, como em Cujo, que conta a história de um cão assassino.

Mas são os imóveis malígnos a verdadeira especialidade de King. Em O Iluminado, um cara enlouquece após passar uma temporada com sua família em um estranho hotel nas montanhas. Lá coisas estranhas começam a acontecer, e o personagem Jack, nos cinemas interpretado brilhantemente por Jack Nicholson, em um de seus melhores papéis, vai aos poucos perdendo a sanidade e acaba se tornando um lunático psicótico com institntos assassinos. A explicação para o que acontece com ele está no hotel, dotado de uma inexplicável força malévola, que acaba contaminando o pobre Jack. Em outra história do gênero, é a vez da mansão Rose Red - A Casa Adormecida trazer o terror a quem a visita. A diferença aqui é que é a própria casa quem mata seus visitantes, um grupo de pesquisadores que busca atividades paranormais.

Seguindo esta linha, o filme 1408 é uma típica história de King, e uma das melhores também. Aqui o protagonista é um quarto de hotel, mais especificamente do hotel Dolphin em Nova York. Mike Enslin é um escritor, que após a morte da filha passa a visitar estranhos lugares em busca de alguma prova de que exista realmente um mundo sobrenatural. Ele narra suas experiências em livros-guias do tipo "Os 10 hotéis mais assustadores", ou "Os 10 cemitérios mais assustadores". Mas Mike está decepcionado por nunca encontrar nenhum lugar que realmente lhe permita viver uma experiência paranormal. Até ele receber um cartão postal do hotel Dolphin com a mensagem: "Não fique no quarto 1408". Após uma pesquisa na internet, ele descobre uma série de histórias de pessoas que já morreram naquele quarto, o que lhe parece a grande chance que estava procurando.

Com uma história destas o filme começa muito bem. E o fato de ser extremamente bem produzido, com uma ótima atuação de John Cusack e excelentes efeitos especiais ajuda bastante. Ao longo do tempo, o que vemos é um jogo de ilusões que brinca com a realidade, confundindo não só o protagonista, como também a todos nós. E esta é a grande sacada da trama. Em nenhum momento ela está preocupada em explicar nem deixar claro o que é real e o que não é. Fica tudo na subjetividade de quem vê, o que torna o filme interessante e atrativo. Assim, 1408 convence e consegue passar toda a tensão e angústia de Mike durante sua estadia no quarto. O filme poderia ser mais assustador, é verdade, isto porque a história é ótima e poderia ser explorada de várias formas diferentes. Mas a maneira como é contada já é suficiente para nos deixar arrepiados e remexendo na cadeira. 1408 nos leva ao mundo sobrenatural de King, e consegue resgatar o estilo do bom e velho terror/suspense que anda tão maltratado nos útltimos anos. Uma boa pedida pra quem é fã do gênero, e até pra quem não é mas gosta de bons filmes.

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