28 de jul de 2010

Trilogia Bourne

Esse fim de semana resolvi descansar um pouco a cabeça. E nada melhor para isto do que alugar um bom filme de ação. Bom, resolvi alugar uma trilogia logo. Trata-se da Trilogia Bourne, personagem que já tinha visto no primeiro filme mas nunca tinha dado muita importância. Logo após rever o primeiro filme, A Identidade Bourne, agora com outros olhos, deu pra perceber todo o potencial do personagem. Bourne é um cara atormentado por seu passado, que acorda em um barco em algum lugar da Europa, sem se lembrar sequer de seu nome. Em busca de sua identidade, ele irá descobrir habilidades muito incomuns para uma pessoa normal. Logo as peças começam a se encaixar, e ele passa a ser perseguido por pessoas que querem matá-lo. Na fuga, ele conhece Marie, mulher que o ajuda na fuga e passa a compartilhar de sua vida, suas dúvidas e segredos.

Este é o mote inicial de toda a série, na qual Bourne vai atrás não só de descobrir sobre seu passado e sua identidade, mas também de acabar com o sistema de assassinatos em que estivera inserido ao trabalhar para a CIA como agente secreto. No segundo filme da série, A Supremacia Bourne, ele é novamente obrigado a confrontar seu passado após um tempo de exílio ao ser acusado de assassinato e novamente voltar a ser perseguido. Agora ele deve provar sua inocência, e dar mais um passo em busca de acabar com a indústria de crimes políticos da qual ele próprio fazia parte.

No terceiro filme da série, O Ultimato Bourne, vem na cola do segundo, onde Bourne continua sua perseguição aos manda-chuvas das operações em que estivera envolvido. Como os outros, o filme é ação do início ao fim. Não faltam as tradicionais perseguições de carro, intrigas e conspirações de assassinatos, traições e muita mas muita ação. Logo após assistir ao segundo filme da série já estava ansioso pelo terceiro. Bourne é um personagem pra lá de cativante, e dá pra entender o porque. Além da excelente atuação de Matt Damon, uma das características dos filmes são os belíssimos cenários europeus. O filmes se passam em várias capitais européias, algumas africanas, asiáticas e estadunidense, fazendo com que cada cena tenha uma dinâmica diferente, o que é muito legal.Em tempos de heróis brutamontes versus engomadinhos charmosos, Bourne fica no meio dos dois.

A série traz um novo perfil de herói. Bourne além de lutar contra tudo e contra todos, ainda tem que lutar contra si mesmo, suas dúvidas e o seu passado. Ele lembra muito o Wolverine dos quadrinhos, só que menos cabeça-quente. Aliás, neste quesito, Bourne dá um show. Ele é o típico super-agente, calcula tudo e está sempre um passo a frente de seus adversários.Com esta astúcia, sua inteligência e suas habilidades manuais, Bourne se torna um personagem quase invencível. Mas o mais interessante da série, é que um personagem como este não está a serviço da CIA ou do FBI, ele não trabalha pra ninguém, não está em nenhuma missão ultra-secreta nem nada do tipo. Ele simplesmente se cansou de tudo isto, ele foi o primeiro a questionar os motivos de tudo isto. Este é o grande segredo da série Bourne.

Jason Bourne é um produto do sistema que se voltou contra o próprio sistema. Ele não é mocinho nem bandido, ele quer apenas sua identidade de volta. Só assim ele conseguirá sua liberdade.E ele não se cansa enquanto não desbaratar toda a operação em que estava metido, desde os capangas até o mais alto-escalão. Aqui não se trata de um James Bond, que mata em nome do governo, sem nem saber os reais motivos daquilo tudo. Aqui o que se faz é exatamente uma crítica de tudo isto, de até que ponto se é responsável quando se está apenas obedecendo ordens.

E a frase final deste último filme resume bem esta crítica, quando ele pergunta a um agente que o perseguia se ele sabia porque estava querendo matá-lo. Esta era a identidade de Jason Bourne, um assassino que matava em nome do governo, sem questionar.A série Bourne é o contrário de tudo o que a série Bond representa. Bourne é o oposto de Bond. Ele não quer cumprir missões, ele não quer continuar obedecendo ordens sem saber os motivos. Enquanto Bond é o símbolo da defesa do sistema, onde os vilões são sempre russos, orientais, ou qualquer outra nacionalidade que não seja estadunidense ou centro-européia, que sempre estão conspirando para destruir o planeta, aqui os vilões são as próprias agências estadunidenses. Esta é a inversão de valores e a crítica implícita no filme de Bourne. Ele é a pedra no sapato de Bond. E talvez por isto faça tanto sucesso.

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