7 de dez de 2009

(Des) Encontros

A vida é um emaranhado de sentimentos e interesses, um conjunto de amores, uma variedade de pontos de vistas, que se influenciam mutuamente, se modificam e se relacionam. A vida é constante relação, e quase sempre sequer percebemos isto. Mas quando mostrada do ponto de vista correto, percebemos que tudo está interligado, mesmo as vidas mais distantes e diferentes. Esta é a mensagem que nos deixa os 3 filmes que já se tornaram clássicos cults, escritos por Guilermo Arriaga Jordán e dirigidos por Alejandro González Iñáritu.


O primeiro filme da dupla, Amores Brutos faz uma reflexão sobre o amor, quando três histórias diferentes são conectadas a partir de um acidente de carro, que modificará suas vidas para sempre. Quem dirigia um dos carros era Octavio, jovem que é apaixonado pela cunhada, e planeja fugir com ela. Para ganhar dinheiro, ele coloca seu cachorro Cofi em uma rinha, mas as coisas não dão certo, e ao tentar fugir de seus algozes, ele bate no carro da modelo e atriz Valeria, amante do executivo Daniel, que havia acabado de deixar a esposa para ficar com a amante Valeria.

El Chivo, um mendigo que adora cachorros e esconde um grande segredo do passado, assiste a tudo e salva Cofi, o cão de Octavio. Mal sabe ele que o cachorro acabará mudando sua vida e fazendo-o se encontrar novamente com seu passado. Neste filme os personagens fazem de tudo movidos pelo amor, tentando de todas as formas ir em busca dele. Assim o filme pretende testar nossos limites, mostrar até onde somos capazes de ir em nome do amor, assim como mostra também como este amor pode ser frágil, e como pode sucumbir aos acidentes que a vida nos coloca, convertendo-se em um retrato duro do amor e suas faces, recheado de uma crueza ímpar.

Já em 21 Gramas, filme que projetou o diretor no mercado hollywoodiano, a grande reflexão é sobre a vida. Quanto vale uma vida? é a grande questão colocada aqui. Mais uma vez três histórias são conectadas a partir de um atropelamento, que modifica radicalmente a vida de três pessoas. Uma é a do ex-presidiário Jack Jordan, que quando ia para casa atropela Michael e suas duas filhas. A outra é a da viúva de Michael, que agora tem que conviver com a ausência do marido e das filhas. E a terceira vida é a do professor universtário Paul Rivers, que recebe o coração de Michael num transplante.

O filme tem a linguagem mais rebuscada dos três, com uma cronologia que mistura flashes do passado e do futuro da trama, o que dá grande dinamismo à história. A morte de Michael é o pretexto para modificar a vida dos outros três personagens, mostrando até onde são capazes de ir em nome da vida. Mais uma vez a questão da fragilidade está presente, mostrando como a vida pode ser frágil, podendo ser modificada a qualquer instante, seja pela morte ou pela vida. Uma mensagem cruel e ao mesmo tempo bonita de valor à vida.

O mais recente dos três filmes é o excelente Babel, filme que faz uma reflexão sobre a angústia, conectando quatro histórias de personagens de diferentes países. A partir de um acidente com um ônibus no Marrocos, em que os jovens Ahmed e Youssef, enquanto brincam com um rifle que seu pai havia lhes dado para protegerem sua pequena criação de cabras, atingem um ônibus de turistas, ferindo Susan, que viajava com o marido Richard. Por causa do acidente, os dois não podem voltar a tempo para ficar com os filhos, que acabam ficando mais um dia com a babá mexicana Amelia, que os leva para o casamento do filho no México, mas tem problemas ao voltar e acaba se perdendo das crianças.

Ao mesmo tempo, no Japão, o empresário Yasujilo é procurado por um detetive para esclarecer sobre um rifle que ele teria dado de presente a um criador de cabras no Marrocos. O detetive acaba conhecendo sua filha, Chieko, jovem muda que se sente rejeitada por não conseguir namorado, e acaba se envolvendo com ela de uma forma inusitada.

São histórias angustiantes, vividas por diferentes personagens, de diferentes lugares, conectados por um único acontecimento acidental. Este poderia ser o resumo para os três filmes em questão, tamanha é a semelhança entre eles. Mas as semelhanças param por aqui, já que na prática as narrativas, linguagens e histórias são completamente distintas. Como já dissemos, cada filme aborda uma temática diferente, mas no fundo o que todos pretendem é fazer uma análise nua e crua da vida, de nossos amores e nossas angústias.

E com seus filmes, Iñáritu e Arriaga conseguem nos fazer pensar em nossa própria realidade e nossos sentimentos em relação à vida, completando assim uma trilogia que acaba e tornando um retrato duro, crú, vivo e também cruel das pessoas, ao mesmo tempo em que nos diz que as decisões que tomamos pode refletir na vida de outras pessoas de uma maneira que nunca imaginamos. Três filmes ótimos que retratam o drama da vida humana, mas da mesma forma deixa-nos uma mensagem de esperança e fé no futuro.

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