18 de ago de 2009

Clube da Luta - O Fausto Pós-Moderno

Por que nunca escrevi sobre Clube da Luta? Nao sei. Talvez na época em que o vi pela primeira vez nao tenha dado tanta importancia assim a ele. E tambem ainda nao tinha esse blog, com certeza. Mas o que há de tao especial assim neste filme? Resumidamente, trata-se de um épico pós-moderno, recheado de crítica aos valores capitalistas, com uma pitada de humor-negro e psicodelia. Jack, além de anti-herói, é uma sátira dos heróis da modernidade, com suas idéias de progresso a qualquer custo. Eis o nosso Fausto. Só que ao invés de uma ideologia do progresso, Jack assume o oposto: para ele o que importa é o caos, a autodestruiçao. E neste contexto, ele também faz um pacto com o diabo: aqui entra a figura de Tyler Durden, aquele que levará nosso anti-herói ao caos e a destruiçao, assim como Mefistofeles leva Fausto a construçao e ao desenvolvimento. Duas idéias totalmente opostas.


Enquanto para Fausto só o que importa é o desenvolvimento do mundo, nao importando quantas vidas tenham que ser sacrificadas para que o mundo alcance o progresso científico, Jack privilegia o individuo, nao importando quantos mundos tenham que ser destruidos para que o ser humano encontre seu verdadeiro sentido. Neste ponto os dois épicos colidem: a busca de sentido. É isto o que os aproxima. Tanto Fausto quanto Jack buscam seu lugar no mundo. No inicio do Fausto, ele é um homem à beira do suicidio. No inicio do Clube da Luta, Jack é um homem que nao consegue dormir. Ambos sofrem do mesmo mal: falta de sentido. E ambos irão procurar este sentido, mas de maneiras opostas. Enquanto um encontra sentido na construçao, e simbolicamente acaba destruindo o velho mundo de atrasos para construir um novo mundo de progresso e desenvolvimento e assim dar origem ao mundo moderno, Jack parte do oposto: destruir tudo aquilo que Fausto construiu, para entao encontrar seu verdadeiro sentido no mundo.

Assim, Clube da Luta consegue fazer sua análise deste mundo pós-moderno em que vivemos. A vida vazia de Jack e sua busca por um sentido o levam a sair de uma vida consumista para viver novas experiencias, que o levam a conhecer Tyler Durden, o simbolo da desordem e do caos. Com sua filosofia de vida totalmente distorcida para os padroes estabelecidos, ele levará Jack a morar numa espelunca sem nenhum conforto, a praticar vandalismo gratuito e juntos eles construirao um exercito de loucos dispostos a explodir o mundo. E aqui se esconde a grande mensagem do filme. Ambos nao se sentem parte deste mundo. Eles procuram seu lugar neste mundo, mas não encontram. A grande descoberta é que o mundo é feito para as elites. A eles só resta trabalhar e continuar sua vidinha vazia. Porque lutar para defender um mundo ao qual nao me identifico? Já que este mundo nao foi feito para mim, só me resta destrui-lo. A prática deste pensamento é o Projeto Caos.

É isto o que faz deste épico um clássico para mim. Talvez eu me identifique com o personagem Jack. Mas de uma certa forma, toda a crítica contida no filme me levou a rever conceitos e enxergar melhor diversos aspectos de nossa sociedade. Isto é o que há de mais legal neste filme. "Fomos criados pela televisão para acreditar que um dia seríamos ricos, estrelas do cinema e do rock. Mas não seremos. E estamos aos poucos aprendendo isto. E estamos muito, muito zangados..." (Tyler Durden)

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